out 7, 2019
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O Critério de Kelly: o que os apostadores precisam de saber

O que é o Critério de Kelly?

Como funciona o Critério de Kelly?

Como calcular o Critério de Kelly

Quais são as críticas feitas ao Critério de Kelly?

O Critério de Kelly: o que os apostadores precisam de saber
O Critério de Kelly é um conceito bem conhecido entre os apostadores que levam a atividade a sério. Considerado por muitos como a forma ideal de gerir os seus fundos de apostas, também lhe são feitas algumas críticas. O que precisam os apostadores de saber sobre o Critério de Kelly? Continue a ler para saber a resposta.

A Pinnacle publicou anteriormente um artigo útil sobre como utilizar o Critério de Kelly nas apostas. No entanto, este artigo procura responder a mais algumas perguntas que as pessoas fazem com frequência sobre o popular método de “staking”.

O que é o Critério de Kelly?

John Kelly criou o Critério de Kelly em 1956 quando trabalhava na companhia telefónica AT&T’s Bell Laboratory. Ao longo do tempo, o Critério de Kelly tornou-se cada vez mais popular no setor das apostas e no setor financeiro e é agora habitualmente utilizado tanto por apostadores como por negociadores (muitas vezes denominado apenas de “Kelly”).

Em resumo, o Critério de Kelly é uma fórmula que calcula a proporção dos fundos existentes que devem ser arriscados com o objetivo de maximizar o retorno potencial de uma aposta ou investimento. Isso significa que leva em consideração a quantidade de dinheiro que tem para apostar, a probabilidade de a sua aposta ser vencedora ou não para ajudá-lo a apostar em função disso.

Embora seja um de muitos métodos de apostas tentados e testados, o Critério de Kelly é considerado como o melhor, devido ao facto de proteger os seus fundos, garantindo ao mesmo tempo que aposta fundos de uma forma proporcional ao valor esperado positivo (ou “vantagem”) que tem sobre o mercado.

Como funciona o Critério de Kelly?

Os métodos de “staking” (paradas) podem variar bastante, de apostas fixas ou constantes simples (apostar sempre o mesmo montante) a métodos sequenciais como o de “martingale” (dobrar a parada depois de uma perda) e de “Fibonacci” (subir um valor na sequência de números depois de uma perda e descer dois depois de uma vitória).

O Critério de Kelly é diferente de todos os métodos de “staking” comuns indicados acima, pelo facto de ser proporcional. O montante que aposta quando utiliza o Critério de Kelly é sempre proporcional aos seus fundos em relação à vantagem que possui (frequentemente referida como a sua vantagem).

Os principais elementos do Critério de Kelly são: os seus fundos nunca deverão esgotar se perder e os seus fundos irão aumentar exponencialmente se ganhar. Se sofrer uma série de perdas, o montante de aposta aconselhado diminuirá para se manter consistente com os seus fundos existentes. O inverso também é verdade. Se as suas apostas resultarem num lucro e no aumento dos seus fundos, o montante que aposta daí para a frente também aumentará.

Como calcular o Critério de Kelly

A fórmula do Critério de Kelly pode parecer confusa para alguns, mas assim que a conseguir perceber, é muito fácil de compreender e aplicar nas suas próprias apostas.

(BP - Q) / B

f representa o montante que deve apostar (a fração dos seus fundos)

b representa as probabilidades decimais na sua aposta futura, ou seja, 1

p representa a possibilidade de ganhar (conforme calculada por si)

q representa a possibilidade de perder (1 - p)

Podemos agora utilizar um exemplo prático para ajudar a esclarecer. Digamos que Roger Federer está a jogar com Rafael Nadal na final de Wimbledon. Federer apresenta probabilidades de 1,598, e Nadal de 2,490. As probabilidades estão a dar a Nadal cerca de 40% de hipóteses de ganhar, mas você acha que ele tem 48% de hipóteses de ganhar.

Isto significa que:

b representa as probabilidades decimais na sua aposta futura: (2,49) - 1 = 1,49

p representa a possibilidade de ganhar (conforme calculada por si) = 0,48

q representa a possibilidade de perder: (1 - 0,48) = 0,52

(1,49 x 0,48 - 0,52) / 1,49 = 0,13

Portanto, no exemplo fornecido acima, o Critério de Kelly sugeriria apostar 13% dos seus fundos em como Rafael Nadal ganha a Roger Federer.

Embora seja importante compreender como calcular o montante a apostar com base na fórmula do Critério de Kelly, pode utilizar ferramentas, tais como o Excel, para automatizar este processo ou qualquer uma das calculadoras do Critério de Kelly disponíveis gratuitamente online.

Quais são as críticas feitas ao Critério de Kelly?

A crítica mais comum feita ao Critério de Kelly num contexto de apostas é que ele não leva em consideração a volatilidade do mercado de apostas nem o impacto que a variação pode ter nos resultados.

Os principais elementos do Critério de Kelly são: os seus fundos nunca deverão esgotar se perder e os seus fundos irão aumentar exponencialmente se ganhar.

Para ajudar a contextualizar a situação, os seus fundos devem ser criados com diversas paradas pequenas em apostas com probabilidades elevadas, nas quais a vantagem que terá é percebida como sendo pequena. Contudo, se o seu modelo encontrar uma grande vantagem numa opção no mercado com um preço baixo, o seu trabalho de criação de fundos poderá ser desfeito de uma assentada se essa aposta sair perdedora.

Foram realizados diversos estudos sobre este assunto e a solução parece ser bastante simples – uma versão fracional do Critério de Kelly. Os apostadores irão agora adotar uma estratégia do Critério de Kelly de 1/2, 1/4 ou 1/8 (utilizando de forma consistente a mesma fração como parte do método). Isto significa que, se o Critério de Kelly aconselhar uma aposta com 10% dos seus fundos, se estiver a utilizar uma versão 1/2 de Kelly, a aposta seria de 5%, uma versão 1/4 seria de 2,5% e uma versão 1/8 seria de 1,25%.

Outra queixa comum sobre o Critério de Kelly tem a ver com a forma de gerir diversas vantagens em apostas simultâneas. Existe uma potencial situação hipotética na qual o apostador encontra uma vantagem na Equipa A vs. a Equipa B, tendo também uma vantagem sobre a Equipa C vs. a Equipa D, sendo que ambos os eventos ocorrem ao mesmo tempo. Além disso, utilizando o mercado 1X2 ou um mercado com uma longa lista de futuras como exemplo, pode ser possível que dois, três ou até mais dos resultados no mercado multilateral forneçam uma vantagem ao apostador.

Em ambas as situações, surge de novo a queixa comum apontada ao Critério de Kelly. Dependendo do número de eventos simultâneos e da dimensão da vantagem percebida, utilizar o Critério de Kelly poderá resultar numa sugestão de paradas que poderá esgotar o grosso dos fundos. Em casos extremos, poderá resultar numa sugestão de montante de aposta que até excede os atuais fundos.

Vale igualmente a pena considerar se o Critério de Kelly é o método de “staking” certo com base no seu perfil de apostador. Se for disciplinado e estiver empenhado em desenvolver uma vantagem e dedicar o tempo que é necessário para criar o seu conjunto de fundos, então o Critério de Kelly é provavelmente o método certo para si. No entanto, se estiver a apostar apenas como uma forma de entretenimento ou se o processo por trás da realização de uma aposta não for um processo minuciosamente calculado, então recomendamos manter-se com paradas relativamente pequenas a partir dos seus fundos globais (se os tiver).

Se quiser saber mais sobre as críticas feitas ao Critério de Kelly (e as potenciais soluções), então sugiro a leitura de um artigo anterior dos Recursos de Apostas de @PlusEVAnalytics.

Consideração final: trabalhe na sua vantagem

Uma última ideia para os apostadores que utilizam o Critério de Kelly ou uma versão fracional deste critério é que este método se baseia no seu cálculo da possibilidade de resultado. Otimizar a gestão dos seus fundos em relação à sua vantagem está muito certo, mas também precisa de trabalhar no sentido de garantir que detém de facto uma vantagem legítima sobre o mercado.

Há muito trabalho envolvido na produção de possibilidades de resultados mais exatas do que aquelas disponíveis no mercado de apostas, mas também precisará de dedicar tempo para aperfeiçoar o seu modelo e testá-lo continuamente para eliminar a influência da sorte e da aleatoriedade em quaisquer resultados positivos.

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