jan 16, 2020
jan 16, 2020

Os tenistas da ATP possuem habilidade de "clutch"?

A habilidade de "clutch" é real ou um mito?

É verdade que alguns tenistas apresentam desempenho superior, ou inferior, em break points?

Estatísticas analisadas dos dez melhores tenistas da ATP

Tendências e insights sobre o tênis

Os tenistas da ATP possuem habilidade de "clutch"?

Com o início da temporada de tênis deste ano, este é o momento ideal para analisar de maneira alternativa como o sucesso e o fracasso podem surgir na quadra. Neste artigo, de uma série de quatro partes, Dan Weston estudará a sorte, a variação e as margens estreitas que frequentemente decidem os resultados no tênis profissional.

Quando foi a última vez que você observou um tenista e pensou: "Ele é ótimo com pontos-chave. Quase toda vez que precisa marcar um ponto, ele consegue de alguma forma" ou "Ele realmente consegue ficar no controle quando é preciso"?

Acreditamos que muitos leitores tenham pensado isso sobre determinados jogadores, particularmente, aqueles que estão no topo do ranking. Este artigo questionará essas visões e, especificamente, se a habilidade de "clutch", ou seja, a capacidade de jogar melhor quando a situação exige, realmente existe no tênis.

É verdade que alguns tenistas apresentam desempenho superior em break points?

Para começar, uma análise dos dados de pontos-chave dos dez principais tenistas do ATP Tour no curto e no longo prazo é extremamente útil. Os dados de curto prazo retirados da temporada de 2019 estão detalhados abaixo:

Dados sobre o desempenho dos dez melhores tenistas do ATP Tour em 2019

Jogador

Pontos de saque conquistados (%) em 2019

Break points salvos (%) em 2019

Pontos de recepção conquistados (%) em 2019

Break points salvos (%) em 2019

Desempenho superior ou inferior em break points (%)

Rafael Nadal

70,1%

68,0%

42,5%

45,1%

0,5%

Novak Djovokic

69,1%

63,8%

41,3%

48,9%

2,3%

Roger Federer

71,3%

71,1%

38,9%

40,9%

1,8%

Dominic Thiem

67,2%

62,3%

37,0%

42,1%

0,2%

Daniil Medvedev

67,0%

61,7%

40,3%

43,7%

-1,9%

Stefanos Tsitsipas

67,9%

65,0%

35,7%

36,0%

-2,6%

Alexander Zverev

64,5%

59,6%

38,9%

38,7%

-5,1%

Matteo Berrettini

68,6%

69,7%

35,0%

37,5%

3,6%

Roberto Bautista-Agut

66,7%

59,9%

38,7%

39,8%

-5,7%

Gael Monfils

64,2%

63,8%

39,1%

41,1%

1,6%

Várias observações interessantes podem ser extraídas da tabela acima. Em primeiro lugar, Roger Federer lidera os números de break points (71,1%), o que significa que aqueles que acreditam que a lenda suíça é formidável em salvar break points com seus saques podem se orgulhar de estarem certos.

Os dados de Matteo Berrettini sugerem que ele teve um desempenho 3,6% acima do esperado, a maior margem entre os jogadores do grupo.

No entanto, é importante observar esses números em um contexto completo, e a razão pela qual Federer é tão bom em salvar break points no saque é bastante simples. Ele conquistou mais pontos de saque que o restante dos dez primeiros colocados, com uma marca de 71,3% no ano passado.

Efetivamente, sua capacidade de salvar break points é simplesmente uma consequência natural de ser um sacador de elite, não de que, de alguma forma, ele seja capaz de reunir força mental em momentos vitais para ganhar de seus oponentes.

Também podemos observar que vários dos dez melhores tenistas apresentaram desempenho abaixo do esperado com base nas expectativas de pontos de saque e recepção conquistados, principalmente Alexander Zverev e Roberto Bautista-Agut.

Zverev caiu para a sétima colocação no ranking mundial depois de um 2019 aparentemente decepcionante. Apesar disso, ele deve se animar com o fato de que teve um desempenho em break points 5,1% abaixo do esperado com base nas expectativas ao longo da temporada, mas parece improvável que esse déficit de pontos-chave continue.

Os dados de Matteo Berrettini sugerem que ele teve um desempenho 3,6% acima do esperado, a maior margem entre os jogadores do grupo. O italiano faz bem em manter uma porcentagem de vitórias tão alta (66%), com apenas 103,6% de pontos combinados de saque e recepção conquistados em 2019. A determinação das expectativas de porcentagem de vitória com base nos pontos de saque e recepção conquistados será abordada mais detalhadamente no próximo artigo desta série.

As ligações entre break points e pontos de saque

De acordo com os números do ATP Tour em 2019, 63,9% dos pontos de saque foram conquistados e 61,2% das chances de break points foram salvas pelo sacador. Ou seja, 36,1% dos pontos de recepção foram conquistados e 38,8% das chances de break points foram convertidas pelo recebedor.

Essas informações também estão alinhadas com dados de longo prazo, que indicam que um sacador médio converte entre 2,7 e 2,8% menos break points do que marca pontos de saque e, inversamente, um receptor médio converte mais chances de break points do que marca pontos de recepção por uma margem similar.

Esses números são estáveis e têm uma explicação lógica. Se um jogador chega ao break point na recepção, geralmente é porque está jogando particularmente bem ou seu oponente está jogando mal ou até machucado.

Essa condição de jogo normalmente persistirá durante a partida e, em particular, o restante de um game específico. Essencialmente, se um tenista marcar 0–40 na recepção, geralmente há uma razão para isso que provavelmente influenciará chances subsequentes de break point.

Analisando o desempenho de saque e recepção

Usando o diferencial de 2,7% em relação a 2019, agora podemos analisar os dados dos dez melhores tenistas da ATP na última temporada a partir de uma perspectiva diferente: seu desempenho acima e abaixo do desempenho dividido por saque e recepção, assumindo uma relação linear.

Dados sobre o desempenho de saque, break points e pontos de recepção dos dez melhores tenistas do ATP Tour em 2019

Jogador

Pontos de saque conquistados (%) em 2019

Break points salvos (%) em 2019

Expectativa de break points salvos (%) em 2019

Pontos de recepção conquistados (%) em 2019

Break points salvos (%) em 2019

Expectativa de pontos de recepção conquistados (%) em 2019

Desempenho superior ou inferior em break points de saque (%)

Desempenho superior ou inferior em break points de recepção (%)

Rafael Nadal

70,1%

68,0%

67,4%

42,5%

45,1%

45,2%

0,6%

-0,1%

Novak Djovokic

69,1%

63,8%

66,4%

41,3%

48,9%

44,0%

-2,6%

4,9%

Roger Federer

71,3%

71,1%

68,6%

38,9%

40,9%

41,6%

2,5%

-0,7%

Dominic Thiem

67,2%

62,3%

64,5%

37,0%

42,1%

39,7%

-2,2%

2,4%

Daniil Medvedev

67,0%

61,7%

64,3%

40,3%

43,7%

43,0%

-2,6%

0,7%

Stefanos Tsitsipas

67,9%

65,0%

65,2%

35,7%

36,0%

38,4%

-0,2%

-2,4%

Alexander Zverev

64,5%

59,6%

61,8%

38,9%

38,7%

41,6%

-2,2%

-2.9%

Matteo Berrettini

68,6%

69,7%

65,9%

35,0%

37,5%

37,7%

3,8%

-0,2%

Roberto Bautista-Agut

66,7%

59,9%

64,0%

38,7%

39,8%

41,4%

-4,1%

-1,6%

Gael Monfils

64,2%

63,8%

61,5%

39,1%

41,1%

41,8%

2,3%

0,7%

Esta tabela destaca que foi extremamente difícil para os jogadores manterem um desempenho superior ou inferior em relação a break points no saque e na recepção ao longo da temporada.

Apenas três jogadores, Zverev, Bautista-Agut e Stefanos Tsitsipas, apresentaram desempenho abaixo do esperado nos break points no saque e na recepção, com base nos saques e pontos de recepção. Nenhum jogador conseguiu salvar e converter mais break points do que o esperado.

Isso imediatamente põe em questão a capacidade de jogadores individualmente usarem a habilidade de "clutch" e de alguma forma ganhar pontos importantes quando realmente importa. Se existisse esse tipo de talento, seria provável que alguns dos dez melhores da ATP pudessem superar os valores esperados em break points, mas evidentemente não conseguiram.

Tendências de longo prazo

Uma análise de dados de longo prazo também indica que esse é o caso. A tabela abaixo mostra dados de três anos para os mesmos dez principais jogadores da ATP no momento:

Dados sobre o desempenho de saque, break points e pontos de recepção dos dez melhores tenistas do ATP Tour entre 2017 e 2019

Jogador

Pontos de saque conquistados em 3 anos (%)

Break points salvos em 3 anos (%)

Expectativa de break points salvos em 3 anos (%)

Pontos de recepção conquistados em 3 anos (%)

Break points salvos em 3 anos (%)

Expectativa de pontos de recepção conquistados em 3 anos (%)

Desempenho superior ou inferior em break points de saque (%)

Desempenho superior ou inferior em break points de recepção (%)

Total geral de desempenho superior ou inferior em break points (%)

Rafael Nadal

69,3%

69,7%

66,6%

42,8%

43,7%

45,5%

3,1%

-1,8%

1,3%

Novak Djovokic

68,0%

63,9%

65,3%

41,6%

44,1%

44,3%

-1,4%

-0,2%

-1,6%

Roger Federer

71,8%

69,0%

69,1%

39,0%

40,9%

41,7%

-0,1%

-0,8%

-0,9%

Dominic Thiem

66,4%

64,9%

63,7%

38,1%

40,4%

40,8%

1,2%

-0,4%

0,8%

Daniil Medvedev

64,9%

62,6%

62,2%

38,1%

41,2%

40,8%

0,4%

0,4%

0,8%

Stefanos Tsitsipas

66,9%

63,6%

64,2%

35,2%

37,8%

37,9%

-0,6%

-0,1%

-0,7%

Alexander Zverev

66,0%

60,7%

63,3%

38,6%

41,8%

41,3%

-2,6%

0,5%

-2,1%

Matteo Berrettini

67,6%

65,8%

64,9%

34,6%

35,2%

37,3%

0,9%

-2,1%

-1,2%

Roberto Bautista-Agut

65,3%

61,1%

62,6%

39,8%

41,6%

42,5%

-1,5%

-0,9%

-2,4%

Gael Monfils

64,3%

61,6%

61,6%

38,3%

42,7%

41,0%

0,0%

1,7%

1,7%

Como mencionado, houve algumas flutuações bastante significativas entre a expectativa de quebra e a realidade nos dados analisando o desempenho superior e inferior ao desempenho em 2019, com três jogadores entre os dez primeiros com oscilações acima de 3,5% em relação às expectativas da última temporada.

Os dados de longo prazo atenuam fortemente essas oscilações. Usando os dados de três anos, apenas dois tenistas — Zverev e Bautista-Agut — apresentaram desvios superiores a 2% em relação às expectativas, ilustrando que os jogadores se alinham mais nessa frente à medida que o tamanho da amostra aumenta.

Curiosamente, a amostra de três anos também destaca que apenas Daniil Medvedev conseguiu salvar e converter mais break points do que o esperado, apesar de o talento russo ter conseguido esse feito marcando apenas 0,4% em cada métrica. Em outras palavras, seu desempenho superior foi basicamente insignificante.

No geral, nenhum jogador entre os dez melhores da ATP na atualidade pode se vangloriar de salvamentos e conversões notavelmente melhores do que o esperado, com base em sua capacidade de simplesmente conquistar pontos de saque ou recepção. Essa afirmação rejeita qualquer teoria viável de que esses jogadores sejam tenham tanta habilidade de "clutch" quanto muitas pessoas poderiam pensar.

O próximo artigo desta série analisará a influência dos pontos de saque e recepção sobre a porcentagem de vitórias de um jogador e ajudará a estabelecer quais jogadores venceram mais ou menos partidas na última temporada em comparação com as expectativas. Isso nos permite identificar quais tenistas terão maior probabilidade de serem superestimados ou subestimados pelos mercados de apostas à medida que a temporada se desenrola.

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