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fev 28, 2019
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O desempenho dos principais tenistas quando jogam uns contra os outros

Como é o desempenho dos tenistas do top 20 do ATP quando jogam uns contra os outros?

Análise dos dados para Djokovic e Nadal

Será que Nadal é um valentão em terra batida?

Que jogadores não conseguem enfrentar o top 20 do ATP

O desempenho dos principais tenistas quando jogam uns contra os outros

Credit: Getty Images

O desempenho obtido contra adversários de alto nível são um impulsionador claro do sucesso em torneios de ténis de perfil elevado. Este artigo analisa como é o desempenho do atual Top 20 do ATP quando defrontam os seus adversários do Top 20, com a intenção de definir o perfil dos tenistas e gerar uma vantagem nos mercados de apostas.

Tenistas do Top 20 do ATP nos principais torneios

No ATP Tour, há quatro níveis principais dos torneios.  Começando dos maiores para os menores em nível de importância, temos os Grand Slams, os torneios ATP Masters 1000, os torneios de nível 500 e, finalmente, os eventos de nível 250 de perfil mais baixo. Num torneio de nível 250, acontece às vezes que não há sequer um único tenista do Top 20 no sorteio, e também não é assim tão improvável que o vencedor do torneio não tenha precisado de derrotar um adversário do Top 20 no percurso até levantar o troféu.

Se ampliarmos isto para os eventos dos Grand Slams e dos Masters, o panorama é totalmente diferente. Nos cinco eventos do Grand Slam e nos nove torneios dos Masters 1000 que decorreram desde o início de 2018, apenas três desses 14 eventos exigiram que o vencedor derrotasse um solitário adversário do Top 20.

No geral, quando olhamos para os cinco Grand Slams desde o início de 2018, um tenista do ATP tinha de derrotar, em média, 2,40 tenistas do top 20 para ganhar o título.

Em sete desses 14 eventos (50%), o vencedor derrotou três adversários do Top 20, enquanto em Paris, no final da última temporada, Karen Khachanov percorreu sem dúvida o caminho mais difícil para o título durante o ano, já que o jovem russo teve de enfrentar os quatro melhores adversários do Top 20 até conseguir obter o primeiro título de Masters da sua carreira.

No geral, quando olhamos para os cinco Grand Slams desde o início de 2018, um tenista do ATP tinha de derrotar, em média, 2,40 tenistas do top 20 para ganhar o título, enquanto nos eventos Masters, durante o mesmo período de tempo, o valor era quase idêntico, de 2,44. Sendo pouco provável que baste a um tenista uma vitória contra um adversário do Top 20 para ganhar um título importante, e estando duas vitórias ainda abaixo da média, é evidente que o vencedor do torneio terá normalmente de ter a capacidade de derrotar vários tenistas classificados no Top 20.

É bastante útil compreender este aspeto como ponto de partida, pois permite-nos então criar o perfil dos principais tenistas para ver quais deles têm mais ou menos probabilidade de possuir o conjunto de competências para alcançar tal feito. 

Um análise atenta a Novak Djokovic e Rafa Nadal

Em primeiro lugar, vale a pena analisar os incontestáveis dois melhores tenistas atuais do tour masculino: Novak Djokovic e Rafa Nadal. Como a tabela que se encontrará abaixo mostrará, ambos os tenistas estão isolados quando se consideram as percentagens combinadas de pontos de serviço/quebra de serviços face a todos os adversários no tour - uma medida fiável para avaliar a qualidade dos tenistas. 

Na verdade - talvez favorecido pelas inúmeras vitórias retumbantes conseguidas nos seus favoritos courts de terra batida - Nadal possui uma melhor combinação de dados do que Djokovic, sendo o seu valor combinado de 123,6% nos últimos 12 meses, enquanto Djokovic se encontra abaixo nos 119,0%. Ambos são números de grande categoria.

No entanto, ao avaliarmos os desempenhos face aos adversários do Top 20 isoladamente, é na realidade Djokovic que possui a vantagem. A sua percentagem combinada de pontos de serviço/quebra de serviços é mais baixa nos 113,2%, mas o sérvio tem uma diminuição menor do que o seu rival espanhol, que tem estado posicionado nos 112,6% nos últimos 12 meses contra os adversários do top 20. Efetivamente, a percentagem combinada de Djokovic diminuiu 5,8% (119,0% - 113,2%) contra os adversários do Top 20, enquanto a de Nadal diminuiu 11,0% (123,6% - 112,6%).

Será que Nadal é um valentão em terra batida? Seria um pouco duro sugerir tal coisa, dado que os seus dados contra os adversários do Top 20 continuam a ser excelentes, mas como mencionámos anteriormente, o Rei da Terra Batida parece estar um pouco convencido da sua capacidade de derrotar com facilidade e em larga medida tenistas menos bem classificados.

Estatísticas do top 20 do ATP

Tenista

Percentagem de pontos de serviço durante 12 meses (face a todos os adversários)

Percentagem de quebra de serviços durante 12 meses (face a todos os adversários)

Percentagem combinada durante 12 meses (face a todos os adversários)

Percentagem de pontos de serviço durante 12 meses (face aos adversários do Top 20)

Percentagem de quebra de serviços durante 12 meses (face aos adversários do Top 20)

Percentagem combinada durante 12 meses (face aos adversários do Top 20)

Diferença % combinada

 

 

 

 

 

 

 

 

Djokovic

87,9

31,1

119,0

88,2

25,1

113,2

5,8

Nadal

87,4

36,2

123,6

82,5

30,1

112,6

11,0

Zverev A

82,4

28,2

110,6

80,3

18,0

98,2

12,4

Del Potro

87,9

25,9

113,8

86,4

16,0

102,5

11,3

Anderson

89,4

16,0

105,4

84,4

12,7

97,1

8,3

Nishikori

82,1

25,0

107,1

74,8

21,1

95,9

11,2

Federer

91,2

22,4

113,6

89,4

13,0

102,4

11,2

Thiem

83,9

24,5

108,4

77,1

22,6

99,7

8,7

Isner

94,5

9,7

104,2

89,1

4,3

93,4

10,8

Cilic

86,8

21,9

108,7

84,4

20,7

105,0

3,7

Khachanov

86,9

20,0

106,9

81,2

16,9

98,1

8,8

Tsitsipas

85,5

16,0

101,5

76,8

15,0

91,9

9,6

Coric

85,2

25,7

110,9

81,1

19,4

100,5

10,4

Raonic

91,7

15,6

107,3

88,0

11,4

99,4

7,9

Medvedev

81,8

25,2

107,0

78,3

15,5

93,8

13,2

Fognini

75,6

28,8

104,4

70,6

18,3

89,0

15,4

Cecchinato

79,0

19,9

98,9

75,3

27,4

102,6

-3,7

Bautista-Agut

82,8

25,2

108,0

76,0

19,2

95,2

12,8

Schwartzman

73,8

30,7

104,5

60,4

24,3

84,7

19,8

Basilashvili

75,9

20,8

96,7

81,6

14,9

96,5

0,2

A tabela acima ilustra os registos de pontos de serviço/quebra de serviços dos tenistas do ATP contra todos os adversários nos últimos 12 meses (dados corretos a 21 de fevereiro de 2019), comparativamente com os seus registos de pontos de serviço/quebra de serviços contra os adversários do Top 20 isoladamente, durante o mesmo período de tempo.

O que é imediatamente evidente é que apenas um tenista tem conseguido ter um desempenho melhor face aos adversários do Top 20, comparativamente ao seu registo contra todos os adversários e esse tenista é Marco Cecchinato.

Este jogador italiano com uma preferência pela terra batida é um pouco enigmático, e é difícil explicar por que motivo tem conseguido obter dados de retorno acentuadamente melhores (quebrando o serviço em 27,4% contra tenistas do Top 20 comparativamente a 19,9% no geral) quando defronta um adversário de maior calibre. Dado que a dimensão da sua amostra de dados contra adversários do Top 20 era um pouco menor do que a da maioria dos outros tenistas na lista, a variação é uma explicação possível, embora seja difícil excluir um argumento de que ele é homem para o palco dos grandes.

Nikoloz Basilashvili foi outro tenista que teve um bom desempenho contra os adversários do Top 20, com dados combinados quase idênticos contra os adversários do Top 20, comparativamente a todos os adversários, embora o seu jogo dinâmico contra os rivais do Top 20 se tenha modificado para um estilo muito mais orientado para o serviço.

Esta dinâmica orientada para o serviço foi notória quando olhamos para muitos dos tenistas no atual Top 20 do ATP, quando jogaram contra outros tenistas do Top 20. Doze dos atuais Top 20 conseguiram manter a sua posição mais de 80% do tempo contra os adversários do Top 20 (na generalidade, só quatro é que não conseguiram), mas só sete conseguiram quebrar o serviço de adversários do Top 20 mais do que 20% do tempo (comparativamente a 15 em geral). Apenas três - Cecchinato, Djokovic e Nadal - conseguiram fazê-lo em mais de 25% dos jogos de volta.

Apenas sete tenistas no total conseguiram quebrar totalmente a marca combinada de pontos de serviço/quebra de serviços nos seus jogos contra os adversários do Top 20 - para além dos acima mencionados Djokovic, Nadal e Cecchinato, o quarteto composto por Juan Martin Del Potro, Roger Federer, Marin Cilic e Borna Coric conseguiu fazê-lo. Contudo, os seus números estão bem longe dos de Djokovic e de Nadal, e explicam em certa medida por que motivo ficam muitas vezes aquém dos melhores resultados nos grandes eventos de ténis.

Que jogadores não conseguem enfrentar o top 20 do ATP

Dito isto, os seus esforços tornam-se insignificantes quando olhamos para tenistas como Kei Nishikori, John Isner, Stefanos Tsitsipas, Fabio Fognini e Diego Schwartzman. O serviço de Nishikori fica exposto contra os melhores, enquanto o de Schwartzman é desfeito. Isner só conseguiu derrotar adversários do Top 20 em 4,3% das vezes nos últimos 12 meses, enquanto Tsitsipas e Fognini têm igualmente números medíocres de serviço. 

É fundamental compreender se um tenista é capaz de estar à altura das últimas fases dos grandes torneios - estes dados explicam em certa medida como tenistas como Nishikori, Isner, Raonic e Bautista-Agut tiveram um desempenho inferior ao esperado nos Grand Slams, por exemplo, apesar dos seus sólidos resultados em geral e da classificação consistente nos lugares dos top 10 ou imediatamente a seguir.

Quando procuramos as seleções futuras para os grandes torneios, vale a pena ter em mente se um tenista terá alguma potencial vantagem face aos melhores tenistas do tour - se não tiverem, vai ser um esforço bem grande.

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