abr 8, 2021
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O efeito da "mão quente": a natureza das sequências de vitórias

O que é o efeito da "mão quente"?

Como o efeito da "mão quente" influencia as apostas esportivas?

Exceções ao efeito da "mão quente"

O efeito da "mão quente": a natureza das sequências de vitórias

Já teve a sensação de estar em uma maré de sorte? Que tudo o que você tocava ou fazia geraria resultados incríveis? Você pode até ter se convencido de que atletas e estrelas do esporte são iguais e que, depois de ganhar algumas vezes, eles têm a certeza de que vencerão novamente. No entanto, as evidências sugerem que o efeito da "mão quente" é exagerado e, principalmente, se trata de uma questão de sorte. Como isso influencia as suas apostas e como você pode incluir isso como um fator nas suas próprias análises?

O que é o efeito da "mão quente"?

O termo mão quente vem do basquete, em que o pensamento predominante era que um jogador capaz de converter vários arremessos consecutivos tem maior probabilidade de marcar no arremesso seguinte. Todos, desde treinadores, fãs e comentaristas até os próprios atletas, ficam convencidos do poder desse efeito. No entanto, vários estudos demonstram que o efeito da "mão quente" tem menos probabilidade de determinar um resultado do que o puro acaso.

Estudos sobre outros esportes, como o beisebol, também demonstraram poucos efeitos da "mão quente" com significância estatística. Ao analisar, desde as sequências de rebatidas às sequências de vitórias das equipes, eventualmente tendemos a notar que estas sequências de vitórias chegam ao fim e as equipes e jogadores retornam ao seu desempenho regular.

Então, se o efeito não existe realmente ou é apenas fraco na melhor das hipóteses, por que damos tanta importância a ele? Parte da razão para isso é evolutiva. Desde os nossos dias como caçadores-coletores, temos sido programados para procurar padrões no nosso ambiente – fontes de alimentos, água e animais tendem a ser agrupados, e isso se reflete nas apostas, quando tentamos garantir que obteremos o máximo de quaisquer tendências que vemos no mercado.

Outra razão é que, porque isso acontece conosco, presumimos que o mesmo ocorre com um atleta altamente capacitado. No entanto, evidências de jogadores de golfe juniores (Cotton e Price, 2006) mostram que, quanto maior o nível de habilidade e experiência de um atleta, menos suscetível ele é aos efeitos da confiança e da crença em si mesmo.

Também temos um viés cognitivo em que sofremos de presentismo, ou a sensação de que as condições atuais durarão mais tempo do que deveriam na realidade.

Exceções ao efeito da "mão quente"

Existem algumas situações em que o efeito da "mão quente" pode fazer alguma diferença:

  • Uma análise de dez jogadores de boliche mostrou que eles tinham aproximadamente 12% mais probabilidade de acertar o quinto arremesso se já tivessem acertado outros quatro (Dorsey-Palmateer e Smith, 2004).
  • Na competição de tacadas mais difícil da NHL, os estatísticos encontraram uma correlação quase perfeita entre as velocidades de batida dos jogadores (Reifman, 2007).
  • Jogadores de tênis tinham maior probabilidade de ganhar seu próximo ponto se tivessem ganho o serviço anterior (Klaasen e Magnus, 2001).

No entanto, todos esses compartilham a característica de serem movimentos repetitivos e com um pequeno intervalo entre as ações. Outras competições baseadas em habilidades, como a competição anual de arremessos de 3 pontos do NBA All Star também podem ser uma dessas exceções, mas o número de variáveis aumenta em competições esportivas (por exemplo, quando há outros jogadores, condições de jogo, o efeito da torcida etc.), como consequência, pode ser mais difícil prever o efeito da "mão quente".

Como o efeito da "mão quente" influencia suas apostas?

O efeito da "mão quente" pode sugerir que os comentaristas e a mídia influenciam os apostadores casuais no mercado de apostas, destacando jogadores ou equipes em sequências de vitórias incríveis (ou o oposto, com um viés excessivo para a "mão fria"). Os preços das equipes podem ser extremamente exagerados ou subestimados, sugerindo que há valor a ser encontrado em uma abordagem contrária e indo desafiando as tendências atuais.

É importante ser capaz de identificar o desempenho superior ou inferior em uma equipe ou indivíduo.

Estudos nesta área também mostraram que os jogadores ajustam suas estratégias se estiverem conscientes de se encontrarem em uma sequência positiva, e outras equipes podem reagir de forma diferente a esse jogador e reforçar seus esforços para pará-lo, dificultando ainda mais a possibilidade do jogador manter seu desempenho.

Saber quando uma equipe está apresentando um desempenho muito superior ou inferior ao esperado com base na sua própria avaliação objetiva pode ser uma estratégia lucrativa. Atribuir contexto a uma sequência irregular, como os oponentes enfrentados e o estado do jogo, também adicionará outra camada de análise que alguns outros apostadores podem ter ignorado. Isso pode não funcionar sempre mas, como diz o ditado, todas as coisas boas precisam chegar ao fim.

Leitura recomendada

Se estiver interessado em aprender mais sobre o efeito da "mão quente", estas são algumas recomendações:

  • Hot Hand: The Statistics Behind Sports’ Greatest Streaks, de Alan Reifman.
  • The Hot Hand: The Mystery and Science of Streaks, de Ben Cohen.
  • The Hot Hand in Basketball: On the Misperception of Random Sequences, artigo de pesquisa seminal que inspirou este campo de estudo, por Gilovich, Vallone e Tversky.
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